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domingo, 14 de novembro de 2010

Inteligências Múltiplas e Emocionais


1. Como definir inteligência?
Inteligência é a capacidade de resolver problemas, compreender idéias, interpretar informações transformando as em conhecimento e, também, a capacidade de criar. Constitui um componente biopsicológico que difere o ser humano de outras espécies animais.

2. Existem informações novas sobre a Inteligência humana que podem dar nova dimensão à educação?
Existem. Durante muitos anos a descoberta do funcionamento da mente constituía-se em um desafio para a neurologia. Observar o cérebro humano em ação era impossível em uma pessoa viva e essa dificuldade gerava uma série de hipóteses sobre o pensamento, consciência, memória e naturalmente, inteligência. Atualmente sistemas avançados de Tomografias por Emissão de Pósitrons ou mesmo Ressonâncias Magnéticas específicas podem "abrir" o cérebro de uma pessoa viva e acompanhar suas reações. Existe, é evidente, muito a fazer, mas há uma distância considerável entre o que se sabe e o que era sabido há dez anos atrás sobre inteligência.

3. E quais as implicações educacionais dessas descobertas sobre a idéia de inteligência?
Pelo menos, três avanços neurológicos parecem extremamente significativos: o primeiro, é que a inteligência pode ser estimulada e o papel do meio ambiente associa-se ao da hereditariedade na construção de pessoas mais ou menos inteligentes; segundo, não existe uma inteligência na mente humana, mas diversas inteligências que compõe espectros altamente diferenciados; terceiro, o estímulo a essas inteligências não requer tecnologia de ponta ou investimentos que inviabilizem sua prática em todo lugar, em qualquer família ou escola.

4. É possível constatarmos nas pessoas com as quais nos relacionamos as evidências dessa multiplicidade de espectro?
Sem dúvida. A humanidade sempre valorizou a inteligência de Mozart e de Einstein, de Camões e de Niemayer, de Picasso e de Ghandi assim como de muitos outros, mas sempre soube diferenciar a natureza específica de suas competências. Não é necessário aprofundar a genialidade para perceber entre nossos amigos ou alunos, inteligências lingüísticas, matemáticas espaciais e outras.

5. Essas inteligências múltiplas atuam isoladamente? Podem ser estimuladas de forma específica?
De forma alguma. As ações no cérebro atuam com sistemas integrados mais ou menos como o conjunto de folhas de uma copa agitada pelo vento. É impossível isolarmos uma inteligência, ainda que estímulos específicos podem atuar mais sobre uma que sobre as outras.

6. Quais são essas inteligências?
Embora seja muito mais importante observar o espectro das inteligências e identificar o indivíduo por sua multiplicidade, ainda que se destacando por esta ou aquela linguagem, as inteligências apontadas por Howard Gardner, da Universidade de Harvard, são as de natureza lingüística, lógico - matemáticas, espacial, musical, cinestésico - corporal, naturalista e as inteligências pessoais.

7. E as inteligências emocionais?
Gardner não fala em inteligência emocional. A expressão veio de Daniel Goleman, e sua obra ainda que bem menos densa que os estudos de Gardner, sugerem que as emoções seriam processadas pelas inteligências pessoais, isto é, a intrapessoal, ligada a auto-estima, segurança e capacidade de administrar de maneira satisfatória a autopercepção e a inteligência interpessoal, associada a empatia, "leitura" e compreensão do outro e de seus sentimentos.

8. É possível estimular - se as inteligências emocionais? Esse estímulo seria auto - ajuda?
A reposta é sim e não. É evidente que é possível aperfeiçoarmos as inteligências pessoais em conjunto ou mais explicitamente uma delas, ainda que esse estímulo seja lento e os resultados progressivos, algo assim como aprender a tocar violino. Não existe relação entre a alfabetização emocional e a auto - ajuda. Em primeiro lugar porquê auto - ajuda se associa a "domesticação das emoções" algo muito distante da alfabetização emocional. Em segundo lugar porquê a pretensa auto - ajuda dispensa as interações e a intervenção do professor e psicólogo, o que não ocorre com a alfabetização emocional e, finalmente, porquê toda auto - ajuda promete milagres com uma simples leitura e meia dúzia de conselhos, procedimento anos-luz distante de uma verdadeira alfabetização emocional.
Obs.: esta entrevista foi extraída do site Estação Educação. Para mais informações acesse: http://estacaoeducacao.starmedia.com/

Celso Antunes
Especialista em Educação

terça-feira, 26 de outubro de 2010

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL na sala de aula


Introdução
Os sentimentos mais fortes do homem são a tristeza, a alegria e a raiva. É fundamental saber lidar com eles. As pessoas que sabem controlar suas emoções são aquelas que obtêm mais sucesso na vida, em qualquer tipo de medição: conflito em turma, conflito com aluno, conflito entre profissionais…
Em relação à educação, Goleman, e autores influenciados por ele, fala da importância de “educar” as emoções e fazer com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com outros, reconhecerem as próprias angústias e medos, etc.
Para que os alunos desenvolvam sua inteligência emocional, uma das premissas básicas é a necessidade de que o professor também desenvolva sua própria inteligência emocional, pois, pode-se dizer que aquilo que o professor ensina em sua prática docente está embebido por sua própria personalidade. Desse modo, a inteligência emocional do professor é uma das variáveis que melhor explica a criação de uma aula emocionalmente inteligente.
1.1 Os Níveis de Inteligência Emocional
Goleman apresenta os seguintes níveis de Inteligência Emocional:
  1. Auto- conhecimento emocional – Autoconsciência: conhecimento que o ser humano tem de si próprio, de seus sentimentos ou intuição. Esta competência é fundamental para que o homem tenha confiança em si (autoconfiança) e conheça seus pontos fortes e fracos;
  2. Controle emocional – Capacidade de gerenciar os sentimentos: é importante saber lidar com os sentimentos. A pessoa que sabe controlar seus próprios sentimentos se dá bem em qualquer lugar que esteja ou em qualquer ato que realize.
  3. Auto- motivação – Ter vontade de realizar, otimismo: Pôr as emoções a serviço de uma meta. A pessoa otimista consegue realizar tudo que planeja, pois tem consciência que todos os problemas são contornáveis e resolvíveis.
  4. Reconhecer emoções nos outros – Empatia: saber se colocar no lugar do outro. Perceber o outro. Captar o sentimento do outro. A calma é fundamental para que isso aconteça. Os problemas devem ser resolvidos através de conversas claras. As explosões devem ser evitadas para que não prejudique o relacionamento com os outros.
  5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais – Aptidão social: a capacidade que a pessoa deve ter para lidar com emoções do grupo. A arte dos relacionamentos deve-se, em grande parte a saber lidar com as emoções do outro. Saber trabalhar em equipe é fundamental no mundo atual.

1.2 Gerenciando a Inteligência Emocional em Sala de Aula

Segundo Goleman: “emoções são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados, equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se, aí sim – virtudes.”
Um princípio básico para o desenvolvimento da inteligência emocional na sala de aula é o respeito mútuo pelos sentimentos dos outros, e para tanto é necessário que o professor saiba como se sente e seja capaz de comunicar abertamente suas sensações e sentimentos. O professor não deveria negar suas emoções negativas e sim, ser capaz de expressá-las de modo saudável na comunidade que constrói com seus alunos.
Ensinar os alunos a reconhecer suas emoções, saber categorizá-las e comunicá-las, fazendo-se entender, ajuda-os a serem os responsáveis por suas próprias necessidades emocionais.
Conhecer os alunos é um processo que se inicia desde os primeiros dias de aula. Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da nossa ação pedagógica, pois podemos mobilizar interesses, curiosidades, conhecimentos prévios, aspectos das histórias de vida, articulando com os conhecimentos que integram o currículo a ser desenvolvido.
Também conhecê-los em seus aspectos sociais, cognitivos, afetivos e emocionais implica uma atitude de permanente investigação, avaliação contínua dos conhecimentos adquiridos, sondagem dos interesses delas e atenção as necessidades que elas expressam.
Perceber o que o aluno sente, sem que ele o diga, constitui a essência da empatia, uma das características fundamentais da inteligência emocional. Dificilmente os indivíduos, nos dizem em palavras aquilo que sentem, mas revelam seus sentimentos por seu tom de voz, pela expressão facial ou por outras maneiras não verbais.
A partir do momento em que o professor reconhece as emoções do aluno (medo, raiva, ciúme, alegria, tristeza, vergonha), cria uma enorme chance de aumentar a intimidade, transmitir experiência e compartilhar dificuldades.
O aluno passa a se sentir valorizado, legitimado em seus sentimentos (mesmo que negativos) e, conseqüentemente, fortalece sua auto-estima. Ele descobre novas estratégias para lidar com os conflitos, diminui a agressividade em suas relações com o outro, aprende a conviver de uma maneira confortável com os sentimentos negativos, enfim, ele transforma um sentimento que o assusta em algo que faz parte da vida, não censurando a si mesmo por seus sentimentos, mas sim, julgando a decisão do que fazer com estes mesmos sentimentos.
Conclusão
O professor deveria reservar tempo e espaço para iniciar os alunos em projetos de cooperação. A participação de professores e alunos em projetos comuns pode dar origem à aprendizagem de métodos de resolução de conflitos e construir uma referência para a vida futura, enriquecendo a relação professor – aluno.
A influência dessa teoria sobre a educação é altamente positiva, pois chama a atenção para o fato de que a educação em si, não deve preocupar-se apenas com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.

Referência Bibliográfica

GOLEMAN, Daniel - Inteligência emocional. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 1996
Priscila Costa Felis Tominaga - Pedagoga
http://educacao.qprocura.com.br

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Como preparar seu filho para a chegada do irmão


É natural o ciúme pintar quando se comunica uma nova gravidez à criança mais velha da casa. O que não deve ser feito de jeito nenhum neste momento é ignorar o sentimento do primogênito, por considerar o fato ‘apenas uma fase’. “Os pais devem ter paciência com toda expressão de sentimento da criança, e o ciúme é uma reação emocional normal, que deve ser resolvida com muito diálogo e compreensão.

Adoecemos e fazemos adoecer quando negamos ou ‘desconhecemos’ uma emoção”, explica Vera Risi, terapeuta de casal e família, diretora de comunicação da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro.

Conheça agora os principais deslizes que os pais cometem neste momento e aprenda a driblá-los:

1. Demorar para contar sobre a gravidez

Segundo a pediatra do Hospital Santa Catarina, Márcia Sanae Kodaira, a criança tem um feeling e deixar para contar que elas vão ganhar um irmãozinho apenas quando ele está prestes a nascer é um engano. “Os bem novos não têm percepção, mas os pequenos em idade pré-escolar, a partir dos dois anos, não podem ter a inteligência subestimada”, aponta. Conte após o primeiro trimestre, quando não há risco de aborto, para que a criança não se frustre.

2. Deixar o mais velho em segundo plano

“É o principal erro cometido pelos pais”, conta o psicólogo Carlos Eduardo Fernandes. Obviamente o recém-nascido exigirá mais cuidados e atenção, porém os mais velhos precisam ter assegurados seus lugares na família e, principalmente, o amor que os pais sentem por eles. Isso é possível com diálogo constante e com a participação do filho na preparação do quarto, escolha das roupinhas, consultas médicas, dia do ultrassom… Eles se sentirão importantes.

3. Omitir explicações

Com a chegada do bebê, é importante que a criança saiba tudo o que é importante sobre o nascimento deles. “É um ótimo momento para pais explicarem para os filhos, de uma maneira apropriada para a idade deles, de onde vêm as crianças”, ressalta Carlos.

4. Propagar a chegada do novo amigo

Dizer que o bebê vai brincar com o irmão mais velho é propaganda enganosa. Os especialistas são unânimes em dizer que este argumento é falho, pois quando o bebê nasce ainda não interage e o mais velho se sente enganado.

5. Incluir responsabilidades na vida da criança

Cuidado ao dizer que o mais velho cuidará do caçula. De acordo com Carlos, é preciso incluir a criança na preparação da nova rotina da casa, porém jamais deixar subentendido que ela terá obrigações no trato do bebê. Peça para pegar uma fralda, para estar por perto na hora do banho, mas não dê a entender que a criança é obrigada a fazer essas tarefas.

6. Negar excessivamente o contato, por cuidado

“Gestações de alto risco impedem as mães de carregar peso, o que inclui o filho mais velho, porém basta pedir para alguém segurá-lo e ficar ao lado brincando”, ensina Márcia. Em gestações normais, as mães podem e devem continuar a brincar e pegar seus filhos mais velhos no colo, jamais afastá-los. Converse regularmente com o obstetra sobre a questão, mas mantenha sempre contato realmente próximo com o pequeno – abraçando, acariciando, lendo para ele etc.

7. Iniciar transformações bruscas no cotidiano

“Alguns fatores devem ser tratados com cuidado no período que antecede o nascimento do bebê, como mudança de escola, casa…”, cita a terapeuta Vera. Até mesmo mudar a criança de quarto ou fazê-la dividir o espaço que até então era exclusivo com o caçula pode exacerbar o ciúme. Se isso tiver que ser feito, faça com muito cuidado e diálogo, sempre incluindo o primogênito nas decisões, pontuando como tudo aconteceu na época do nascimento dele, deixando claro que toda atenção e cuidado que está acontecendo neste momento também aconteceu com a sua chegada.

8. Abordagens equivocadas

Quanto menor a criança, mais lúdicas as conversas devem ser sobre a chegada do novo membro da família. “Porém, conforme ela cresce, o assunto deve ser tratado de forma mais séria. Com a chegada do bebê, os filhos podem se sentir rejeitados pelos pais”, explica Carlos Eduardo. Portanto, é preciso cuidado para que eles não se sintam menosprezados ou subestimados pela forma como o assunto é tratado.

9. Superproteger o mais velho

Embora o primogênito deva participar de todas as decisões e ser inserido na reorganização da rotina, deixar o menor sob os cuidados da babá para dar mais atenção para o maior também é uma cilada. “O mais velho vai achar que isso é normal, mas de repente, o bebê começa a ficar bonitinho, dar risada, andar e a incomodar, então será tarde para reverter o quadro”, esclarece Márcia.

10. Impedir o mais velho de tocar o neném

Mesmo que um dos dois esteja doente, coloque uma máscara na criança, mas permita que eles se toquem. Fique de olho, porque é natural o mais velho (quando não tem ninguém olhando), querer bater, pegar no colo sozinho e outras atitudes que podem colocar o mais novo em risco; por outro lado, não mantenha o bebê em uma redoma de vidro, impedindo o mais velho de chegar perto.

11. Ostentar

“Mostre a decoração do quarto, mas não fique apontando tudo o que comprou para o irmão mais novo, item por item”, diz a pediatra. Se sentir excluído em relação aos bens materiais pode ser tão prejudicial quanto a falta de atenção, cuidado e carinho. Pior, pode direcionar o raciocínio infantil para todas estas faltas.

[ + ] Fonte: iG Delas